quarta-feira, 14 de abril de 2010

O avesso do avesso do avesso

Estávamos em Recife. Uma Recife diferente, com antigas e dantescas construções, que datavam de muitos e muitos séculos atrás. Lugar lindo, porém abandonado, sem nenhuma conservação. Os prédios eram habitados por gente de todo tipo. Mendigos, bandidos e viciados dividiam o espaço com toneladas de lixo.

Tudo aconteceu como se seguíssemos um roteiro determinado.

Lari, eu e um sujeito de rosto desconhecido, por quem ela estava perdidamente apaixonada, passeávamos por esses campos, sem nos poupar de sentir os piores odores que vinham do escuro e assitir à feiúra degradante da (des)humanidade.

Eles se beijavam a todo instante, andavam de braços dados e se agarrando sem censura. Ela foi comprar um sorvete de baunilha, ele se declarou para mim.

Não sabia mais como agir. Depois do sorvete, completamente incontida, Lari foi comprar Vodka, queria um porre fenomenal para comemorar o que sentia.
Se embebedou só.

Embriagada ela dorme profundamente. Ele, sem escrúpulos, invade meu quarto sem esperar meu consentimento. Não consigo (nem quero) resisitir. Deixo que os instintos aflorem em liberdade sem medir consequências. E é bom demais. Ele tem pegada, sabe sorrir e fazer aquilo tudo parecer tão certo...

O dia seguinte é normal em todos os sentidos. Vou encontrar a Biri, preciso desabafar esse grito daqui de dentro. Ela ouve com calma, sem tecer sequer um comentário enquanto conto os detalhes mais sórdidos e saborosos da noite anterior. De repente a sensação de culpa me abate violenta- eu conheço bem aquele silêncio taxativo, sei que ela não aprova minhas atitudes, minha fraqueza.

Na noite seguinte tranco a porta do quarto.

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