segunda-feira, 5 de abril de 2010

Do dia 4 de abril

Noite cheia...

1º- Leio um pedaço de papel que descubro ser algo parecido com isso- um relato de coisas que acontecem em outras dimensões. E ali se revela um passado que eu não esperava conhecer, pois no fim, a separação deles culminava na nossa volta.

Ele disse que a amava. Ela retribuiu o sentimento.

Não me lembro quem era ela, só posso afirmar que era meu avesso: morena com curtos cabelos negros. E ele a amou.


2º- Mackenzie. Palco de anos de emoções diversas.
Lá estamos novamente reunidos: Mari, Escobar, Gersão, Presidente e eu.

Vamos sair pelo porão, alguém sugere. Todos acatamos a ideia com animação, sempre soubemos da existência desse local mas nunca fomos até lá de fato.

A grande surpresa é que, embora iluminado, esse porão é um imenso labirinto de muros e escadas intermináveis. Procuramos uma saída a noite toda, encontramos vários desconhecidos, uns dispostos a ajudar, outros, nem tanto (queriam nos denunciar): You're not supposed to be here.

Surge uma encruzilhada. Descer os degraus que levam até uma parede alta ou subir outros, que levam ao breu? Eu queria ir pelo caminho mais sombrio, mas a maioria me venceu, o melhor é enxergar por onde se anda. Ao alcançar a enorme parede, decidimos transpor o obstaculo um de cada vez. Fui a última e, ao chegar em cima do muro, não havia mais ninguém me esperando do outro lado.

Sozinha, perdida no labirinto de degraus, me vejo a muitos metros do chão. Há uma corda, mas para usá-la preciso aplicar força descomunal sobre meus ombros e braços. Acredito que sou capaz, então sigo em frente. Imediatamente me vem uma revelação: se tivesse seguido pelo caminho escuro, já teria encontrado uma saída.

Me deparo com rostos desconhecidos e amistosos, que me levam até um açude raso, o local de saída dos funcionários esquecidos pelo mundo, onde só uma grade me separa da rua.

Estou livre agora, mas essa cidade é estupidamente estranha. Desconheço os arredores onde vivi por tantos anos.

3º- Ainda e novamente perdida. Mas dessa vez em outra cidade.
Estou dirigindo um carro, na companhia de duas amigas.

Embora não saiba onde estou, sei que já me perdi por ali antes. Vejo lojas e casas que me parecem estranhamente familiares.

Paro pra pagar uma conta, dívida em 5 prestações de R$ 77,00. A vendedora me pergunta se me pagaram a agenda que levei mês passado, que custava R$ 43,00. Não consegui me lembrar se recebi essa quantia, só queria ir embora dali pra evitar mais gastos sem controle, mas as meninas já tinham entrado na loja pra comprar e comprar e comprar...

Eu só queria partir logo pra um lugar conhecido. Só assim eu poderia me encontrar.

... O interfone me desperta, já são 10:30.

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