Tivemos que entregar o apartamento e não tínhamos mais para onde ir. Não havia imóveis para locação e nos mudamos então para a casa da secretária da minha chefe, a Aline.
A casa era bem simples, mas tinha 4 portas que davam para a rua. E nenhuma delas tinha tranca, embora o bairro tivesse alto índice de criminalidade. Eu chegava do trabalho e ficava sozinha por horas, neurótica, de porta em porta. Obsessiva.
Dormíamos no chão, comíamos os restos e éramos tratados como não se deve tratar nenhum ser vivo. O pai da Aline era escrotíssimo, não perdia oportunidade de nos xingar e descia o verbo em todos ali sempre que estava alcoolizado - Leia-se a todo momento.
Não suportei aquela situação e numa madrugada fria, de repente, mais que sugeri, intimei o Bruno a fugirmos pelo portão da frente. Assim fizemos, com a ajuda do irmão da Aline.
Pedi meu emprego antigo de volta para a Lilian, que me recebeu de braços abertos. Liguei para a Jacaré me desculpando por deixa-la na mão, mas expliquei meus motivos e ela entendeu que a situação era insustentável.
No final de semana estou em Itape, na Cesário Mota, 430. Toca a campainha, as meninas, enlouquecidas, saem para a rua assim que abro a porta. Niki, Kittry e Bibiana.
Já na soleira da porta, em pé, está o pai da Aline, o homem inescrupuloso, tentando me convencer que eu tinha me precipitado e que tudo seria diferente, que eu não deveria te-lo levado a mal e não queria que meus pais tivessem uma imagem errada dele.
_ Tarde demais_ eu disse. Mesmo que você tenha dirigido sua velha Brasília branca de Maringá até aqui não há mais como mudar o que aconteceu.
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